Como a PF impediu 'mulas' de levarem mais de 600 cápsulas de cocaína no corpo de Fortaleza a Paris
Os agentes da PF informaram que o grupo deu respostas desconexas para perguntas simples.
14/04/2026 08:48:07
Um grupo de seis pessoas preso pela Polícia Federal (PF) em maio de 2024 no Aeroporto de Fortaleza ao tentar embarcar em um voo para Paris com centenas de cápsulas de cocaína dentro do corpo e escondidas nas genitálias aguarda julgamento na Justiça Federal do Ceará. O processo tem enfrentado impasses devido à complexidade e diversidade dos réus, que possuem estados processuais diferentes.
No papel de "mulas" do tráfico internacional de drogas, os acusados foram recrutados para participar de uma logística que exigiu preparação física intensa, com ingestão de remédios para facilitar a ocultação da droga no corpo. Eram prometidas a eles recompensas de R$ 5 mil a R$ 20 mil quando o esquema fosse completado. Todos confessaram o crime, e afirmaram que foram aliciados e até ameaçados caso desistissem.
Segundo documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, nessa última quarta-feira (8), o Juízo da 11ª Vara Federal do Ceará marcou pela segunda vez o início das audiências de instrução para o dia 11 de junho.
Uma primeira audiência chegou a ser marcada para 5 de agosto do ano passado, mas ela não aconteceu devido à situação dos réus. Alguns estavam presos em diferentes estados, outros não respondiam às citações e outro estava foragido à época — e permanece.
Quem são réus e qual a situação atual deles?
Victtor Nobrega Ramos: natural de Macaé (RJ), foragido, com solicitação de inclusão do nome Difusão Vermelha da Interpol.
Mathews Marciel dos Santos Alves: natural de Guarulhos (SP), preso no Centro de Detenção Provisória IV (CDP IV) Pinheiros, em São Paulo (SP), pois violou diversas vezes os termos da liberdade provisória.
Breno Carvalho de Oliveira: natural de Guarai (TO), preso na Unidade Prisional de Araguaína/TO, supostamente por outro processo criminal.
Jennifer Annette Seabra: natural de Belém (PA), presa em Santa Catarina após descumprir medidas cautelares.
Leticia Santos Silveira: natural de São Roque (SP), solta após ganhar liberdade provisória com cumprimento de medidas cautelares, como entrega do passaporte.
Ana Gabrielly Elias de Souza: natural de Peruíbe (SP), em liberdade provisória com medidas cautelares.
O Diário do Nordeste solicitou notas de esclarecimento às defesas das rés Jennifer Annette Seabre e Letícia Santos Silveira, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) detalha que o tráfico foi frustrado por volta das 17h do dia 8 de maio de 2024, quando os seis acusados se preparavam para embarcar à França e apresentaram nervosismo. Os agentes da PF informaram que o grupo deu respostas desconexas para perguntas simples.
Com a primeira desconfiança, foi efetuada uma busca nas bagagens e os então suspeitos foram submetidos ao procedimento do body scan — equipamento que utiliza raio-X para realizar revistas corporais —, momento em que as cápsulas de droga foram encontradas.
Uma das carregadoras de entorpecentes, Anna Gabrielly, retirou algumas capsulas do seu corpo ainda no banheiro do aeroporto, pois havia uma quantidade em um saco plástico introduzido em seu órgão genital. Durante os interrogatório, ela afirmou que foi obrigada a colocar parte da droga em sua genitália por não ter conseguido engolir toda a quantidade programada.
No dia do flagrante, foram apreendidos passaportes, seis celulares e diversas cédulas de euros, entre notas de 10 a 100 euros. Todos os seis presos em flagrante foram encaminhados ao Instituto Doutor José Frota (IJF), sob escolta, para que as cápsulas fossem expelidas, pois se tratava de um caso de emergência médica.