Após achar possível petróleo, agricultor do Ceará perde renda extra e vive com um salário mínimo
A agência, por sua vez, visitou o sítio em março deste ano, oito meses depois.
04/04/2026 10:05:45
“Nem água e nem dinheiro, fiquei só com a dívida”. É assim que o agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, descreve a situação atual. O que começou com o sonho de encontrar água no terreno onde reside, na zona rural de Tabuleiro do Norte, se transformou num prejuízo mensal superior a R$ 2 mil, somado a uma dívida de R$ 25 mil decorrente de empréstimos.
A história é contada pelo próprio agricultor e os filhos, Sidnei e Saullo Moreira, de 35 e 33 anos. Conforme relata a família, a perda da renda ocorreu após seu Sidrônio perfurar dois poços artesianos em busca de recursos para irrigar a plantação e alimentar os animais do Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro do município.
No entanto, em novembro de 2024, veio a surpresa: em vez de água, do chão brotou um líquido escuro e de odor semelhante a óleo e asfalto fresco. De acordo com Sidnei, a família está sem plantar desde a descoberta, devido à proximidade dos campos aos poços e à falta de água.
Com a água, a ideia era aumentar a renda a partir das plantações de milho, feijão e sorgo (cereal), além de investir na criação de animais, que hoje conta com cinco cabeças de gado, 18 caprinos e 20 aves (galinhas e capotes).
Na época, seu Sidrônio precisou fazer um empréstimo bancário de R$ 15 mil para contratar um serviço de perfuração de poço, e a esposa, Maria Luciene, alimentada pela esperança do recurso, fez um empréstimo de R$ 10 mil pouco tempo antes, com o objetivo de renovar o rebanho.
Atualmente, a família aguarda o resultado da análise feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre o achado.
A entidade foi contatada em julho de 2025, após o grupo receber orientações do engenheiro químico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), do campus de Tabuleiro do Norte, Adriano Lima.
A agência, por sua vez, visitou o sítio em março deste ano, oito meses depois.
Conforme relata seu Sidrônio, a orientação das autoridades é não entrar em contato com a substância e não realizar novas perfurações, em razão da natureza desconhecida do líquido e da possibilidade de contaminação.
fonte : diario do nordeste