Júnior Mano e família de Wesley Safadão são investigados por propina e privilégios indevidos
O artista segue dedicado integralmente à sua carreira musical e aos seus projetos profissionais".
14/03/2026 08:42:37
Uso indevido de aeronave privada em campanha, suspeita de propina e de desvio de verba pública, articulação eleitoral e pressão para acelerar a fixação de datas de shows em benefício de prefeituras aliadas. Esses são os indícios levantados pela Polícia Federal ao apontar que a relação entre o deputado federal Junior Mano (PSB) e o cantor Wesley Safadão teria ultrapassado a barreira das agendas e cordialidade e transbordado para a "gestão concreta de interesses" — especialmente com os irmãos do artista, Watila, e o ex-prefeito de Aracoiaba, Edim Oliveira (PP).
No inquérito que o PontoPoder teve acesso, a investigação aponta que a relação entre a família "Safadão" e o parlamentar ultrapassou a cordialidade para uma gestão concreta de interesses, onde a estrutura de shows e de bens de luxo do cantor teria sido utilizada de maneira coordenada como engrenagem política de Júnior Mano.
Um dos primeiros indícios abordados no processo de quase 400 páginas é uma suposta cobrança de propina no valor de R$ 200 mil que teria sido feita por Mano à empresa BetVip, de Safadão, para um evento em Nova Russas, em 2024.
Em um dos prints anexados ao processo, há uma conversa entre Mano e Safadão no WhatsApp, em que o deputado diz: “Cantor, passando aqui humildemente um patrocínio da bet vip no valor de 200k para o nosso evento, precisando muito mesmo. Olha a grade e me ajude!! [sic]”. Para a PF, o texto indica "trato direto e sem intermediários" com o artista.
Junto ao pedido de "patrocínio", o político anexou vídeos, fotos e encartes sobre o evento que tinha Safadão como a principal atração. Pouco depois, o cantor pediu para retomar o diálogo apenas no dia seguinte, porque estaria de saída para uma "oração". "Ore por nós", respondeu Mano.
A suspeita dos investigadores é que os pedidos de “patrocínio” do parlamentar tenham sido, na verdade, um jeito camuflado de receber propina, com a devolução de parte dos valores contratados para os shows, a exemplo de uma apresentação de Safadão em Nova Russas, onde ele teria recebido R$ 900 mil, e em Morada Nova, onde o cachê teria sido de R$ 1 milhão.
Ao PontoPoder, a assessoria do artista afirmou que "Wesley Safadão não possui qualquer envolvimento político com as pessoas mencionadas. A troca de mensagens divulgada entre o deputado Júnior Mano e o artista diz respeito exclusivamente a um pedido de patrocínio encaminhado ao cantor, algo comum dentro do ambiente de eventos e entretenimento".
Ainda de acordo com o posicionamento, "não houve, por parte de Wesley, qualquer participação em articulações políticas, apoio a iniciativas dessa natureza ou relação com decisões institucionais. O artista segue dedicado integralmente à sua carreira musical e aos seus projetos profissionais".
Fonte : DIARIO DO NORDESTE